A história do Notariado no Paraná está ligada à dedicação de profissionais que, ao longo de várias décadas, contribuíram para fortalecer a segurança jurídica, a credibilidade institucional e a confiança da população nos Cartórios de Notas. Essa trajetória é composta por pessoas que acompanharam e, em muitos casos, desempenharam papéis centrais nas transformações da atividade notarial, desde um modelo predominantemente presencial até a atual realidade digital e integrada em todo o país.
O Colégio Notarial do Brasil – Seção Paraná foi criado em 12 de janeiro de 1972, em resposta à demanda por organização, união e representação da classe notarial no estado. Esse papel institucional foi fortalecido com o reconhecimento constitucional da atividade décadas depois. O artigo 236 da Constituição Federal de 1988 definiu a natureza privada das funções notarial e registral, exercidas por delegação do Poder Público, além de estabelecer a exigência de concurso público para o ingresso na atividade. A regulamentação ocorreu em 18 de novembro de 1994, com a promulgação da Lei nº 8.935/94, marco importante para a modernização dos serviços extrajudiciais em todo o Brasil.
Antes mesmo da criação desse marco legal, figuras históricas já se destacavam no contexto paranaense. Renato Volpi, Alfredo Braz, Mota Ribeiro, Newton Bonilauri e Nelson Laporte ganharam notoriedade por sua atuação coletiva no chamado “Cartório do Braz Hotel”, local que se tornou emblemático na memória do notariado paranaense. Foi a partir desse núcleo de diálogo, compartilhamento de experiências e visão coletiva que se fortaleceu o movimento que, futuramente, resultaria na criação do CNB/PR. Essa atuação representou um avanço significativo na consolidação de uma entidade capaz de proteger direitos, fomentar a padronização de práticas e valorizar os tabeliães de notas no ambiente institucional.
A história do notariado também é marcada por trajetórias que começaram no trabalho fundamental dos cartórios. Ângelo Volpi, diretor de tecnologia do CNB/PR, iniciou suas atividades como escrevente entre 1979 e 1980, período em que a atividade notarial vivia um cenário normativo bastante distinto do atual. Ao longo do tempo, acompanhou transformações estruturais significativas, desde a consolidação de leis até a adoção de novas tecnologias, como o e-Notariado. Sua trajetória demonstra como o aprendizado contínuo e a experiência prática formam profissionais preparados para lidar com as mudanças no serviço extrajudicial, sem perder a essência da função.
“Com certeza, a maior mudança ao longo da minha carreira foi a informática e, em seguida, a transição dos documentos e assinaturas em papel para o formato digital. Essa evolução teve impacto significativo tanto na gestão interna quanto no atendimento ao usuário. Fui o primeiro cartório notarial a receber a certificação ISO (Organização Internacional de Normalização) e um dos precursores na informatização dos serviços. O estímulo para continuar na profissão veio da tradição familiar — meu tio, meu pai e meu avô também foram notários — combinado com meu interesse pelas ciências humanas e pelo serviço ao público”, explica Ângelo.
Cid Rocha Junior é outro exemplo notável de comprometimento, completando 56 anos de atuação na atividade notarial em abril de 2026. São raros os profissionais com uma experiência tão abrangente, capaz de atravessar diferentes modelos de gestão pública, transformações legislativas e mudanças sociais. Essa longa trajetória demonstra não apenas conhecimento técnico, mas também dedicação institucional e profundo entendimento da realidade dos usuários dos serviços notariais.
“Depois de mais de cinquenta anos de atividade, o exercício notarial me mostrou que, em sua essência, pouco mudou. Se multiplicarmos esses 56 anos por cem, retornamos às raízes da atividade, lá na Mesopotâmia, quando escribas documentavam os eventos que fundamentaram a civilização em tábuas de argila. Os instrumentos mudaram, mas a função continua a mesma. Atualmente, os testamentos ainda são elaborados com a mesma formalidade, mesmo que o tinteiro tenha sido substituído pelo teclado e a assinatura possa ser feita até por videoconferência, com uso de certificado digital. Os fundamentos permanecem, embora a forma mude. É isso que o tempo revela ao notário. Lex est quod notamus, o que significa ‘o que escrevemos é lei’”, contempla Cid.
Ao trazer essas histórias para narrativas mais recentes da atividade, o tempo também adquire um sentido mais humano. Régers Fernandes exerce suas funções há nove anos, desde 12 de janeiro de 2017 — data que, curiosamente, marca o aniversário de fundação do CNB/PR. “Entrei, papai, e agora já sou vovô. O tempo voa”, resume, evidenciando como a carreira notarial se mistura com as transformações da vida pessoal. Sua trajetória demonstra que, mesmo em períodos mais breves, a profundidade da atuação e a seriedade do cargo geram impactos significativos.
Já Cristina Tonet Colodel completou três anos de atuação no dia 12 de janeiro, reforçando que o notariado é construído tanto pela experiência acumulada ao longo de décadas quanto pelo engajamento das novas gerações. Cada fase contribui para a renovação da atividade, trazendo novas perspectivas, energia e dedicação aos princípios que orientam a função notarial.
Ao reunir histórias de profissionais que vivenciaram diferentes momentos do notariado paranaense, o CNB/PR reafirma a importância da memória institucional, da continuidade e da valorização das pessoas que constroem diariamente a atividade. São essas trajetórias, longas ou recentes, que sustentam a credibilidade dos Cartórios de Notas e fortalecem o notariado como pilar essencial da segurança jurídica no Paraná.
Fonte: Isabella Serena – Assessora de comunicação CNB/PR
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