O aumento da presença feminina no notariado paranaense tem mudado o perfil da atividade extrajudicial. Cada vez mais, mulheres ocupam cargos de liderança nos Cartórios de Notas, conduzindo as serventias com eficiência, sensibilidade e responsabilidade social.
Essas profissionais conciliam a função técnica com o acolhimento humano, facilitando o acesso do cidadão à segurança jurídica e contribuindo para a prevenção de conflitos. Em um contexto anteriormente dominado por homens, as mulheres afirmam sua presença, introduzindo um novo modelo de gestão e uma perspectiva mais empática sobre o papel do notariado na sociedade.
No Brasil, a participação feminina no mercado de trabalho só cresce. De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de 2019, a porcentagem de mulheres entre 17 e 70 anos que estão empregadas aumentou de 56,1% em 1992 para 61,6% em 2015.
E nos Cartórios? Uma pesquisa realizada pela Anoreg/BR revela que 48,6% dos Cartórios de Notas e de Registro do país são geridos por mulheres, enquanto 49,4% são dirigidos por homens. No Paraná, das 161 serventias associadas ao CNB/PR, 69 são lideradas por mulheres.
Em cidades do interior, as tabeliãs se destacam pela proximidade com a comunidade — conhecendo os moradores pelo nome, acompanhando gerações e transformando o cartório em um espaço de acolhimento e orientação. Nas grandes cidades, por outro lado, o desafio é diferente: administrar equipes numerosas, investir em tecnologia e atender à agilidade das demandas urbanas.
“A profissão é maravilhosa, e os tabeliães exercem um papel de grande importância social, o que já é um grande atrativo. Comecei como auxiliar em um cartório de notas, depois passei por outras áreas, até que a aprovação no concurso e a escolha de um cartório de notas se tornaram uma grande conquista pessoal”, recorda Cristina Tonet Colodel, tabeliã em Irati e diretora administrativa do Colégio Notarial do Brasil – Seção Paraná (CNB/PR).
Cristina relata que enfrentou alguns desafios ao ser mulher e tabeliã, especialmente em um contexto historicamente masculino. “O maior desafio que enfrentei estava ligado à ideia de que uma mulher sozinha não conseguiria administrar um cartório, pois precisaria de uma figura masculina para auxiliá-la. Esse discurso questiona nossa confiança e compromete a segurança que temos em nossa própria performance profissional. Felizmente, esse obstáculo já foi vencido há muito tempo”, afirma.
Gerenciar uma serventia em uma cidade do interior também apresenta suas especificidades.
“Irati possui inúmeras vantagens! Tenho uma equipe incrível, um ambiente receptivo e a comodidade de poder almoçar em casa diariamente, o que é bastante significativo. Além disso, oferecemos um ambiente seguro e custos mais acessíveis do que nas grandes cidades”, comenta.
A transformação digital também proporcionou novas perspectivas para o dia a dia da serventia. “A tecnologia nos desafia todos os dias e demanda investimentos. No entanto, por outro lado, ela expande o acesso e a eficiência. Atualmente, temos uma sala dedicada às videoconferências dos atos eletrônicos, atendimento por meio das redes sociais e softwares que agilizam os processos, assegurando maior rapidez na finalização dos atos”, enfatiza Cristina.
Apesar dos progressos, conciliar a vida profissional e pessoal ainda é um desafio. “A carreira profissional é a prioridade, e a paixão é tanta que a vida pessoal acaba sendo deixada de lado. Os compromissos se misturam — o que era pessoal torna-se profissional, e o contrário também. A balança não está equilibrada ultimamente: o lado profissional tem tido mais peso!”, diz, entre risos.
Para ela, o conselho para outras mulheres que desejam seguir carreira no notariado é simples. “Não perder a essência, manter os valores e princípios, e sempre lembrar que a função principal da tabeliã de notas é prevenir conflitos.”
Cristina resume o papel das mulheres na construção de um notariado mais moderno e próximo da sociedade. “O papel das mulheres está justamente na construção — construir relações, empatia, sabedoria e paz. A sensibilidade feminina aproxima o notariado da sociedade na medida em que ouve, compreende e age para tornar o mundo um lugar melhor, começando pela prevenção de litígios.”
Fonte: Isabella Serena – Assessora de Comunicação CNB/PR
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