Um dos maiores atos de solidariedade que uma pessoa pode realizar em vida é a doação de órgãos. De acordo com informações do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), divulgadas pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o Brasil encerrou o ano de 2024 com mais de 66 mil pessoas aguardando um transplante. Nesse mesmo período, foram realizadas aproximadamente 28 mil cirurgias. No Paraná, um dos estados modelo em doação de órgãos, mais de 2 mil pacientes estão na fila à espera de um órgão ou tecido compatível.
Para lidar com esse cenário, foi criado o sistema de Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), conforme o Provimento n.º 164/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Por meio dos Cartórios de Notas integrados à plataforma e-Notariado, a ferramenta possibilita que qualquer cidadão expresse digitalmente seu desejo de ser doador, com validade jurídica e segurança em todo o país.
De acordo com o presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção Paraná (CNB/PR), Daniel Driessen Junior, a AEDO é um divisor de águas na política de incentivo à doação. “Com a AEDO, o cidadão pode registrar sua vontade de forma prática, segura e com valor jurídico. Essa ferramenta dá segurança às famílias e ao sistema de saúde, além de reforçar o papel dos cartórios como agentes de cidadania e transformação social”, destacou.
Além de simplificar o registro digital, a AEDO minimiza um dos principais obstáculos à doação efetiva: a insegurança da família em relação à falta de uma manifestação clara da vontade do falecido. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2024, 43% das famílias brasileiras não concordaram em permitir a doação de órgãos de seus familiares falecidos, principalmente por não terem conhecimento sobre a vontade deles em vida.
Durante o mês de setembro de 2025, a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) promoveu a valorização da AEDO em parceria com o Colégio Notarial do Brasil – Seção Paraná. O deputado estadual Alexandre Curi, primeiro-secretário da Casa, enfatizou a relevância da AEDO e da parceria com os cartórios de notas. “O Paraná dá um grande exemplo ao Brasil, sendo o Estado que tem o maior número de doadores de órgãos. Por meio deste mutirão, parceria entre os cartórios e a Assembleia Legislativa, a ideia é que o Paraná, em 2025, não seja apenas o estado com maior número de doadores de órgãos, mas que alcance índices muito superiores aos demais estados”, ressaltou.
Durante o mutirão de conscientização realizado na ALEP neste mês de setembro, diversos cidadãos aproveitaram a oportunidade para registrar sua decisão pela AEDO. Entre eles, Vinicius Gessolo de Oliveira, advogado e analista legislativo na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, compartilhou sua experiência. “Decidir pela doação é, acima de tudo, uma escolha de vida. É transformar a própria história em esperança, permitindo que meus órgãos sejam um presente para o futuro de outra pessoa.”
A doação de órgãos representa mais do que um gesto de solidariedade individual: é um ato de responsabilidade social que carrega a possibilidade de transformar histórias, ressignificar despedidas e oferecer novas chances de vida para quem aguarda na fila de transplante. “A doação significa uma decisão de continuidade, capaz de salvar e melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas”, informa Vinicius.
Um gesto de cidadania
O presidente do CNB/PR reforça que a adesão da sociedade ao sistema é um passo essencial para ampliar o número de transplantes no país.
“Doar órgãos é perpetuar a vida em outras pessoas. A AEDO representa um elo entre solidariedade e tecnologia, garantindo que a vontade do cidadão seja respeitada e que milhares de vidas possam ser salvas”, concluiu Daniel Driessen Junior.
Fonte: Isabella Serena – Assessora de comunicação CNB/PR
Compartilhar |